Vive numa zona de elevado risco de incêndio? Saiba como proteger e evacuar os seus animais de estimação em segurança | Créditos: Envato Images
Saúde

Vive numa zona de elevado risco de incêndio? Saiba como proteger e evacuar os seus animais de estimação em segurança

Quando um incêndio se aproxima, cada minuto conta. Ter um plano preparado para cães, gatos e outros animais pode fazer toda a diferença.


Com a chegada do verão, aumentam as temperaturas e, com elas, o risco de incêndios rurais em Portugal. Todos os anos, milhares de hectares de floresta são consumidos pelas chamas e muitas famílias são obrigadas a abandonar as suas casas de forma repentina. Nestas situações, os animais de estimação são frequentemente as vítimas esquecidas, apesar de dependerem totalmente dos seus tutores para escapar em segurança.

A melhor forma de proteger cães, gatos e outros animais começa muito antes de qualquer incêndio. Ter um plano de emergência preparado pode fazer toda a diferença quando o tempo é escasso e a necessidade de evacuar é imediata.

Um dos primeiros passos consiste em identificar corretamente os animais. Cães e gatos devem usar uma coleira com chapa de identificação atualizada e, sobretudo, ter o microchip registado com os contactos corretos do tutor. Caso o animal se perca durante uma evacuação, esta informação aumenta significativamente as probabilidades de ser devolvido à família.

Também é aconselhável preparar um kit de emergência exclusivo para os animais. Este deverá incluir ração suficiente para vários dias, água potável, recipientes para comida e bebida, medicamentos habituais, cópias do boletim de vacinas e dos documentos de identificação, trelas, peitorais, transportadoras e alguns objetos familiares, como mantas ou brinquedos, que ajudem a reduzir o stress.

Durante a época de maior risco, os tutores devem acompanhar diariamente os avisos da Proteção Civil e nunca esperar pela última hora para abandonar a habitação caso seja emitida uma ordem de evacuação. Se existir perigo iminente, os animais devem sair juntamente com a família. Nunca devem ser deixados para trás, mesmo que pareça existir tempo suficiente para regressar mais tarde.

Os gatos, por serem mais sensíveis ao stress e tenderem a esconder-se quando se assustam, devem ser colocados na transportadora logo que exista a possibilidade de evacuação. Esperar até o fogo estar próximo pode dificultar a sua captura e colocar em risco tanto o animal como o tutor. No caso dos cães, é importante mantê-los sempre com trela durante todo o processo. O ruído, o fumo e o ambiente de confusão podem provocar comportamentos imprevisíveis, levando-os a fugir em pânico.

Já quem possui pequenos mamíferos, aves, répteis ou outros animais exóticos deverá garantir que existem caixas de transporte adequadas e previamente preparadas. Estes animais são particularmente vulneráveis às alterações de temperatura e à inalação de fumo, exigindo cuidados redobrados durante qualquer deslocação.

Depois da passagem do incêndio, é igualmente importante não permitir que os animais circulem livremente nas áreas afetadas. Podem existir cinzas ainda quentes, troncos instáveis, objetos cortantes, substâncias tóxicas ou focos de calor invisíveis. Antes de regressar à rotina, vale a pena verificar cuidadosamente as patas, os olhos e o nariz dos animais e estar atento a sinais como tosse, dificuldade respiratória, queimaduras, desidratação ou alterações de comportamento. Perante qualquer suspeita, deve procurar assistência veterinária o mais rápido possível.

Os incêndios são, infelizmente, uma realidade recorrente do verão português, mas uma boa preparação permite reduzir significativamente os riscos para toda a família, incluindo os animais de estimação. Ter um plano de evacuação, manter um kit de emergência sempre pronto e agir atempadamente são medidas simples que podem salvar vidas quando cada segundo conta.