A decisão de recorrer à eutanásia continua a ser um dos momentos mais difíceis para quem vive com um cão. Um novo estudo do Dog Aging Project, publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA), conclui que a dor, o sofrimento e a deterioração da qualidade de vida são os principais motivos que levam os tutores a optar pelo procedimento, mas também revela que muitos têm dificuldade em reconhecer quando o animal está efetivamente a sofrer.
A investigação analisou as respostas de 646 tutores cujos cães morreram entre dezembro de 2019 e março de 2021. Dos animais incluídos no estudo, 83% foram sujeitos a eutanásia, realizada maioritariamente em clínicas veterinárias (76,7%) ou no domicílio (22,8%). Cerca de 14,7% morreram sem qualquer intervenção veterinária.
Entre os cães sujeitos a eutanásia, quase metade dos tutores (48,5%) referiu que a principal razão para a decisão foi a dor ou o sofrimento do animal. A perda de qualidade de vida surgiu como o segundo motivo mais frequente (24,8%), seguida de um prognóstico desfavorável.
Os investigadores verificaram ainda que muitos tutores baseiam a sua avaliação em alterações comportamentais e físicas, como dificuldades de mobilidade, vocalizações, apatia ou mudanças subtis na expressão facial. No entanto, os autores alertam que alguns destes sinais podem ser confundidos com o envelhecimento normal, levando a interpretações erradas sobre o estado clínico do cão.
A idade avançada também teve um peso significativo. Os cães do estudo morreram, em média, aos 13 anos e as causas de morte mais frequentemente apontadas pelos tutores foram o cancro (29,7%), a "velhice" (29,4%) e doenças de órgãos específicos (22,3%). Os autores sublinham, contudo, que "velhice" não constitui um diagnóstico médico e pode ocultar doenças potencialmente identificáveis ou tratáveis.
Para a equipa do Dog Aging Project, estes resultados mostram que os médicos veterinários têm um papel determinante no acompanhamento das famílias durante esta fase. Além de avaliar a qualidade de vida do animal, os profissionais devem ajudar os tutores a reconhecer sinais de dor, explicar a evolução das doenças associadas ao envelhecimento e apoiar emocionalmente a tomada de decisão.