ICNF bate recorde na monitorização do lince-ibérico no Vale do Guadiana
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Mais protegido: ICNF bate recorde na monitorização do lince-ibérico no Vale do Guadiana

Entre 29 de setembro e 9 de dezembro, o ICNF capturou e avaliou 35 linces-ibéricos no Vale do Guadiana.


A campanha anual de monitorização do lince-ibérico no Vale do Guadiana atingiu este ano um recorde de 35 animais capturados e avaliados em liberdade, anunciou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Entre 29 de setembro e 9 de dezembro, equipas no terreno percorreram oito áreas entre Odeleite e Serpa, num total de 26 dias de trabalho de campo, para perceber como está a população deste felino em Portugal.

Segundo o ICNF, cada lince capturado é identificado, fotografado, examinado, vacinado e sujeito à recolha de amostras para análises biológicas e genéticas. Sempre que possível, os animais recebem ainda um colar emissor, que permite acompanhar os seus movimentos depois de voltarem a ser libertados. Nesta campanha, 22 dos 35 linces foram equipados com colares com tecnologia LoRaWAN, capaz de comunicar com a aplicação Waze e enviar alertas aos condutores quando um lince se aproxima de troços de estrada considerados perigosos.

O objetivo destes trabalhos é duplo: por um lado, recolher informação sanitária rigorosa, essencial para detetar doenças e ajustar medidas de conservação; por outro, usar os dados de localização para mapear riscos no terreno, nomeadamente zonas com maior probabilidade de atropelamento. Em 2024, as infraestruturas de Portugal e o ICNF já tinham anunciado a integração destes colares com o Waze em estradas como a EN122, EN123 e IC27, precisamente na região do Vale do Guadiana, considerada crítica para a espécie.

Dos 35 linces capturados nesta campanha, nove eram juvenis, sinal de que a população continua a reproduzir-se na região. Os dados mais recentes apontam para 354 linces em liberdade em Portugal em 2024, concentrados sobretudo no Vale do Guadiana, e mais de 2.400 animais em toda a Península Ibérica, depois de a espécie ter estado à beira da extinção no início dos anos 2000.

Em 2024, o lince-ibérico chegou mesmo a ser reclassificado de "Em Perigo" para "Vulnerável" na Lista Vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), num caso apontado por especialistas como uma das histórias de recuperação mais bem-sucedidas do mundo.

O recorde agora alcançado na monitorização no Vale do Guadiana é, ao mesmo tempo, uma boa notícia e um lembrete de que manter o lince-ibérico a circular no Sul do País exige atenção constante.