O PAN - Pessoas-Animais-Natureza lançou o PANDADOS, uma nova plataforma digital que promete dar voz a uma realidade muitas vezes invisível: o bem-estar dos animais em Portugal. Ao reunir, analisar e cruzar dados públicos de todos os municípios, esta ferramenta quer trazer mais transparência e, acima de tudo, ajudar a perceber onde ainda há animais sem a proteção que merecem.
Com base em informação oficial, nomeadamente dos Centros de Recolha Oficial de Animais (CROA), o PANDADOS permite olhar para o país de forma clara e direta, revelando padrões, desigualdades e falhas no sistema. Porque por trás de cada número há histórias reais de abandono, resgate e, muitas vezes, esperança.
Os CROA são estruturas essenciais para o bem-estar animal, dado que recebem animais perdidos ou abandonados, garantem cuidados veterinários e dão-lhes uma nova oportunidade. No entanto, apesar de a lei obrigar todos os municípios a assegurar esta resposta, a realidade mostra que nem todos cumprem e ainda existem concelhos onde simplesmente não existe um local para onde levar um animal em risco.
Através de mapas interativos, qualquer pessoa pode explorar esta realidade distrito a distrito. Um simples código de cores revela tudo: verde para municípios com CROA próprio, amarelo para soluções partilhadas e vermelho para os concelhos onde esta resposta não existe.
Mas os dados levantam outra questão inquietante: nem todos os municípios estão a cumprir a obrigação de prestar contas. A legislação em vigor exige a divulgação anual de números sobre recolhas, adoções, esterilizações, vacinações e eutanásias, dados que deveriam alimentar o relatório nacional da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária. Ainda assim, há autarquias que não reportam qualquer informação.
O PANDADOS torna essa ausência visível, identificando os municípios que ficaram fora das estatísticas de 2025, uma falha que impede conhecer a verdadeira dimensão da realidade no terreno. Ao mesmo tempo, a plataforma permite comparar desempenhos, como o número de adoções ajustado à população, ajudando a perceber onde se está a fazer mais e onde é urgente fazer melhor.
O partido de Inês Sousa-Real sublinha também o papel fundamental dos cidadãos, apelando à denúncia de situações que possam colocar em causa o bem-estar animal. Afinal, cada alerta pode ser o primeiro passo para salvar uma vida.