Investigação revela semelhanças entre tumores felinos e humanos que podem acelerar tratamentos
Saúde

Gatos podem ajudar a desvendar e a desenvolver novas curas para o cancro humano, dizem cientistas

Tumores espontâneos em gatos estão a ajudar investigadores a compreender melhor a evolução do cancro e poderão acelerar a descoberta de terapias mais eficazes para humanos.


Os gatos poderão desempenhar um papel inesperado na luta contra o cancro humano. Vários estudos científicos internacionais recentes indicam que determinadas doenças oncológicas que afetam os felinos apresentam características biológicas muito semelhantes às observadas em pessoas, o que está a transformar estes animais num modelo valioso para a investigação médica.

Ao contrário dos modelos laboratoriais tradicionais, muitos gatos desenvolvem tumores de forma natural ao longo da vida, partilhando com os humanos fatores ambientais, envelhecimento e até estilos de vida semelhantes dentro do mesmo ambiente doméstico. Investigadores em oncologia comparativa, a área que estuda o cancro entre diferentes espécies, consideram que esta proximidade permite compreender melhor a progressão da doença e testar abordagens terapêuticas com maior relevância clínica.

Entre os exemplos mais estudados está o carcinoma mamário felino, considerado particularmente agressivo e biologicamente próximo do cancro da mama humano. Segundo equipas ligadas a universidades veterinárias norte-americanas e europeias, a análise genética destes tumores tem ajudado a identificar mecanismos moleculares comuns, abrindo caminho ao desenvolvimento de tratamentos direcionados e imunoterapias que poderão beneficiar ambas as espécies.

Instituições como o National Cancer Institute, nos Estados Unidos, têm vindo a reforçar programas de investigação em oncologia comparativa, defendendo que animais de companhia com cancros espontâneos podem acelerar descobertas médicas. Os cientistas sublinham que estudar estas doenças em condições naturais fornece dados mais próximos da realidade clínica do que experiências exclusivamente laboratoriais.

Além disso, investigadores destacam que os gatos apresentam respostas imunitárias e mutações genéticas semelhantes às humanas em vários tipos de tumores, o que ajuda a testar novas estratégias terapêuticas, incluindo terapias personalizadas e tratamentos baseados no sistema imunitário. Os especialistas frisam, contudo, que os gatos não são utilizados como "cobaias" no sentido tradicional. Muitos dos estudos decorrem em contexto clínico veterinário, com tratamentos destinados a melhorar a saúde dos próprios animais, enquanto os dados recolhidos contribuem simultaneamente para avanços na medicina humana.

A investigação ainda está numa fase de desenvolvimento, mas os resultados iniciais são considerados promissores. Para os cientistas, compreender melhor o cancro nos felinos pode não só aumentar a esperança de vida dos animais de companhia, como também acelerar a descoberta de terapias mais eficazes para milhões de pessoas em todo o mundo.