As fortes cheias que têm afetado o Ribatejo e o Vale do Tejo transformaram paisagens, bloquearam acessos e criaram ilhas temporárias no leito do rio. Entre os inúmeros desafios surgidos nos últimos dias, um ganhou destaque: a dificuldade de animais de grande porte em aceder a alimentos enquanto permanecem isolados pelas águas.
Para ajudar estes animais, a Marinha portuguesa, utilizou as suas embarcações e logística, e uniu esforços com os Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos para transportar fardos de palha e ração para locais onde os animais aguardam a descida das águas. A operação visa manter estes animais bem alimentados, mesmo enquanto o acesso normal por estradas e caminhos agrícolas continua submerso.
A operação tem contado com apoio técnico para identificar as zonas onde mais animais estão isolados, incluindo levantamento por ar e por embarcação, o que permitiu localizar grupos que, de outra forma, passariam despercebidos. Estima-se que cerca de 200 animais estejam a beneficiar diretamente desta ação, espalhados por pequenas ilhas formadas pela subida do caudal do Tejo.
Embora a prioridade seja alimentar os animais, os responsáveis reforçam que a normalização das rotinas depende da descida das águas, que permitirá aos criadores regressar aos seus terrenos com tratores ou veículos e retomar a alimentação habitual diretamente no pasto.
Esta iniciativa junta-se a várias outras operações de resposta às cheias, que têm incluído assistência a famílias isoladas, abertura de acessos alternativos e coordenação de equipas de proteção civil para lidar com os impactos cumulativos das depressões Kristin, Leonardo e outros episódios recentes de mau tempo.