Alerta Lagarta do Pinheiro. Conheça a "bomba biológica" que ameaça cães e gatos
Saúde

Alerta Lagarta do Pinheiro. Conheça a "bomba biológica" que ameaça cães e gatos

Os meses de janeiro a maio exigem vigilância redobrada nos passeios junto a pinhais e parques com cedros. Saiba porquê.


A chegada da primavera traz consigo um perigo silencioso e muitas vezes fatal para os animais de estimação que frequentam zonas de pinhais: a lagarta do pinheiro, também conhecida como processionária. Este inseto, que deve o seu nome ao hábito de se deslocar em fila indiana pelo solo, possui cerca de 120 mil pelos urticantes que funcionam como autênticas setas venenosas. Quando se sentem ameaçadas, as lagartas libertam estes pelos, que contêm uma proteína tóxica chamada taumetoeína, capaz de provocar reações alérgicas graves e necrose dos tecidos em cães e gatos que, por curiosidade, tentem cheirar ou lamber estes pequenos invasores.

Os sinais de alerta surgem quase imediatamente após o contacto e não devem ser ignorados pelos tutores. Os sintomas mais comuns incluem a inflamação severa do focinho e da boca, acompanhada de hipersalivação e uma agitação extrema, pois o animal sente uma dor intensa. É frequente observar o cão a tentar coçar a boca com as patas desesperadamente. Caso a língua comece a apresentar uma cor azulada ou manchas escuras, o cenário é crítico, pois indica que o veneno está a interromper a circulação sanguínea, o que pode levar à perda de parte do órgão ou mesmo à morte por choque anafilático.

Perante a suspeita de contacto, a rapidez de resposta é o fator determinante entre a vida e a morte. O primeiro passo deve ser lavar abundantemente a zona afetada com água corrente, preferencialmente morna, para ajudar a degradar a toxina. É crucial, no entanto, que o tutor nunca esfregue a zona, pois a fricção fará com que os pelos urticantes se quebrem e libertem ainda mais veneno nos tecidos. Após esta lavagem inicial, o animal deve ser transportado de imediato para uma clínica veterinária para receber tratamento.

A prevenção continua a ser a melhor estratégia para evitar tragédias durante os meses de maior risco, que em Portugal se estendem habitualmente de janeiro a maio. Por isso, os tutores devem evitar passeios em áreas com pinheiros ou cedros, mantendo os animais sempre sob vigilância apertada e preferencialmente com trela curta. E é muito importante olhar não só para o chão, em busca das "procissões" de lagartas, mas também para o topo das árvores, onde se podem avistar os ninhos de seda branca.

Se tiver pinheiros no seu jardim ou em propriedades vizinhas, a intervenção precoce é essencial para garantir a segurança dos seus patudos. Durante o outono e o início do inverno, deve proceder-se à destruição dos ninhos ou à instalação de armadilhas de cinta nos troncos, que capturam as lagartas antes de estas iniciarem a descida para o solo. Em espaços públicos, caso detete a presença destes insetos, deve alertar as autoridades locais ou a Proteção Civil para que sejam tomadas as medidas de controlo adequadas.