Se é daquelas pessoas que passa a vida a dar beijinhos ao cão, pode respirar de alívio. A ciência não só não julga, como até acha que isso pode estar ligado a adolescentes mais sociáveis. Quem o diz é um novo estudo japonês que analisou 343 adolescentes e concluiu que quem vive com um cão em casa tende a ter menos problemas sociais, menos agressividade e melhor bem-estar mental do que os colegas sem patudo.
O trabalho, publicado na revista científica iScience e liderado por uma equipa da Universidade de Azabu, foi mais longe do que os estudos habituais. Além de questionários sobre saúde mental, os investigadores analisaram a microbiota da boca dos adolescentes e fizeram experiências em ratinhos criados em ambiente controlado. Os jovens com cão tinham um perfil de bactérias diferente, com destaque para algumas espécies de Streptococcus, e, quando essas bactérias foram transplantadas para ratos, os animais tornaram-se mais sociais e empáticos com outros ratos.
É aqui que entram os beijinhos ao cão. Os autores não estudaram diretamente beijos e lambidelas, mas admitem que a proximidade física intensa, como dormir juntos, brincar, receber lambidelas na cara ou dar aquele clássico beijo no focinho, pode facilitar a partilha de microrganismos entre humanos e cães, o que acabaria por alterar a microbiota dos adolescentes. Essa alteração, por sua vez, pode estar ligada à melhor regulação emocional e maiores capacidade de interação social, segundo a hipótese dos cientistas.
Mas atenção, os especialistas lembram que o estudo não prova que os beijinhos caninos sejam a causa direta de os adolescentes serem mais sociáveis, nem significa que viver com um cão seja automaticamente positivo em todas as famílias. O que a investigação sugere, de forma cautelosa, é que ter um cão em casa, com tudo o que isso implica de contacto, rotinas e partilha de espaço, pode contribuir para um microbioma diferente e, em parte, para uma melhor saúde mental e social dos jovens.