O cão Boro, dado como desaparecido após a trágica colisão de comboios em Adamuz, Córdoba, já foi encontrado são e salvo e devolvido à dona. O caso foi inicialmente noticiado como um dos episódios mais comoventes ligados ao acidente ferroviário de domingo, que causou dezenas de mortos e mais de uma centena de feridos no sul de Espanha.
Boro, uma mistura de schnauzer com cão de água de pelo preto, viajava no comboio de alta velocidade Iryo com a sua tutora, Ana García, e a irmã desta quando ocorreu o choque com um comboio Alvia. No meio do caos e da destruição, o animal fugiu assustado e desapareceu na zona rural em redor da linha férrea. Ana, ainda a recuperar do choque, chegou a fazer um apelo público emocionado para que a ajudassem a encontrar o cão, apelo que foi amplamente divulgado nos media e nas redes sociais.
Durante três dias, cerca de 200 pessoas, entre voluntários, equipas de resgate, membros do Plan INFOCA, agentes do SEPRONA e associações de proteção animal como o PACMA, vasculharam a zona de Adamuz à procura de Boro. Foram deixadas armadilhas com comida e peças de roupa de Ana para tentar atrair o cão, enquanto se multiplicavam relatos não confirmados de avistamentos junto à via.
A boa notícia chegou esta quinta-feira de manhã: o Serviço de Extinção de Incêndios Florestais da Andaluzia (INFOCA) anunciou nas redes sociais que Boro tinha sido encontrado com vida por um grupo de bombeiros florestais, nas imediações do local do acidente. Pouco depois, imagens do reencontro entre o cão e Ana começaram a circular, mostrando o animal a correr em direção à dona e a saltar-lhe para os braços, num momento descrito pelos meios espanhóis como "um pequeno milagre em Adamuz".
Fisicamente, Boro encontra-se bem, mas o Colégio de Veterinários de Málaga já se ofereceu para acompanhar gratuitamente o caso com uma equipa de especialistas em comportamento, por considerar importante avaliar possíveis consequências do stress vivido durante o acidente e os dias de desaparecimento. Para Ana, que tem ainda a irmã internada nos cuidados intensivos e vive o luto pelas vítimas do desastre, o regresso do cão é, nas suas palavras, "um alívio enorme e um motivo de esperança" no meio de uma das semanas mais difíceis da sua vida.