Devemos falar com os nossos animais como se fossem pessoas? A ciência responde (mais ou menos)
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Devemos falar com os nossos patudos como se fossem humanos? Saiba o que diz a ciência sobre isso

Quase todos nós falamos com os nossos animais como se fossem pessoas. Mas será que isto faz algum sentido para cães e gatos?


Se vive com um cão ou um gato, é provável que já tenha dito coisas do género "Então, como correu o teu dia?" ou "Desculpa, a mãe ficou muito tempo fora". E depois vem a dúvida: será que faz sentido falar com os animais como se fossem pessoas ou não? A ciência tem respondido, aos poucos, e a realidade é mais interessante do que "sim" ou "não".

Sabemos hoje que os cães não ouvem apenas ruído quando falamos com eles. Estudos com recurso a ressonância magnética mostraram que eles conseguem distinguir palavras e entoação e até processam estes dois aspetos em zonas diferentes do cérebro, de forma parecida aos humanos: o conteúdo mais à esquerda, o tom mais à direita. E as áreas de recompensa só disparam em força quando juntamos palavras de elogio com um tom de elogio.

Ou seja, para eles, não basta dizer "és o cão mais lindo do mundo", é importante dizê-lo com voz de quem está mesmo feliz. Também sabemos que as pessoas, espontaneamente, usam um tipo de fala especial com os animais, como se falassem com um bebé: voz mais aguda, ritmo mais lento, frases simples. E as experiências mostraram que este estilo de fala prende especialmente a atenção de cachorros, que reagem mais a este registo do que à fala normal entre adultos.

Em estudos posteriores, viu-se que os cães, em geral, preferem este tom brincalhão e fofinho em contextos sociais e de brincadeira, o que sugere que esta maneira de falar ajuda a reforçar o vínculo e a manter o foco do animal em nós.

E os gatos? Apesar da fama de independentes, também estão atentos. Os felinos conseguem reconhecer a voz do tutor entre vozes de desconhecidos, apenas pelo som, mesmo fingindo muitas vezes que não ligam nenhuma. Já estudos mais recentes foram ainda mais longe: descobriram que os gatos distinguem quando o dono está a falar em "modo gato" (tom mais doce, dirigido a eles) ou quando usa um tom normal, como se falasse com outra pessoa, reagindo mais quando percebem que estamos a falar para eles. Não ficam super animados como um cão, mas mudam a postura, mexem as orelhas, dilatam as pupilas, aproximam-se. É a maneira felina de dizer "sei que estás a falar comigo".

Isto não significa que cães e gatos entendem a linguagem como nós. Não estão a analisar frases complexas, piadas ou dramas existenciais. A ciência sugere apenas que eles apreendem algumas palavras-chave, associam sons a contextos ("passear", "brincar", o próprio nome) e usam sobretudo o tom de voz, a expressão facial e o corpo para perceber o que se passa. Além disso, os patudos são capazes de captar se estamos calmos, irritados, tristes ou contentes, e isso influencia muito a forma como se sentem à nossa volta.

Então, devemos ou não falar com cães e gatos como se fossem pessoas? Em bom rigor, não, eles não são pessoas e lembrar-se disso é importante para não cair em exageros, como esperar que percebam tudo ou ignorar necessidades típicas da espécie, como cheirar, arranhar ou roer. Mas do ponto de vista do vínculo e da comunicação, falar com eles é ótimo: usar o nome, elogiar, explicar o que vai acontecer, manter um tom calmo em situações difíceis. Eles podem não entender a gramática, mas entendem a intenção, o clima emocional e, muitas vezes, algumas palavras-chave que fazem toda a diferença no dia a dia.