Num hospital em França, os tratamentos de saúde mental ganharam um elemento inesperado, com a utilização de burros de terapia assistida. A iniciativa pretende aproximar os pacientes dos animais como forma de promover bem-estar, criar momentos de calma e ajudar no processo terapêutico. Os participantes são emparelhados com um burro, Nono, Pitou, Oscar, Manolo ou Malraux, e com o tempo, vão-se familiarizando com as personalidades uns dos outros.
O projeto decorre no âmbito das atividades de apoio aos doentes de uma unidade de saúde mental, onde os burros passaram a fazer parte da rotina de alguns pacientes. Através do contacto direto com os animais, os utentes participam em momentos de interação, cuidados e acompanhamento, criando uma ligação que pode ter efeitos positivos no seu equilíbrio emocional.
A presença dos animais baseia-se nos princípios da terapia assistida por animais, uma abordagem utilizada em vários países e contextos clínicos, que recorre à interação com animais para apoiar objetivos terapêuticos, emocionais e sociais. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, os burros são animais muito sensíveis e atentos ao comportamento humano. São capazes de criar relações de confiança, reconhecer pessoas e responder ao ambiente que os rodeia.
No hospital francês, os pacientes podem alimentar, escovar e simplesmente estar junto dos animais. Estes momentos ajudam a criar uma pausa na rotina hospitalar e incentivam a comunicação, a concentração e a criação de vínculos. Para alguns doentes, o contacto com os burros representa uma oportunidade de recuperar pequenas rotinas do dia a dia. Cuidar de um animal exige atenção, paciência e responsabilidade, competências que podem ser trabalhadas durante estas sessões.
Além disso, a presença dos animais ajuda a reduzir a ansiedade e proporciona uma experiência sensorial diferente. O ritmo mais tranquilo dos burros contrasta com o ambiente muitas vezes associado a hospitais, criando um espaço de maior descontração.
A utilização de burros em terapias não é uma novidade absoluta. Em diferentes países, cavalos, cães e outros animais já são integrados em programas de apoio a pessoas com dificuldades emocionais, sociais ou cognitivas. Em Portugal, por exemplo, o Hospital de Cascais anunciou recentemente a implementação de um programa de terapia assistida por cães, em parceria com a Associação Francisco de Assis.
No caso francês, a reação dos pacientes tem sido positiva, segundo relatos dos meios de comunicação locais. Muitos encontram nos burros uma presença tranquila e sem julgamentos, algo que pode ser especialmente importante para quem enfrenta problemas relacionados com ansiedade, depressão ou isolamento. Porque às vezes, uma pequena interação, seja uma escovagem, um passeio ou apenas alguns minutos ao lado de um animal, pode fazer uma grande diferença.