Roedores de gaiola, como porquinhos-da-índia, hamsters, ratos e chinchilas têm uma coisa em comum: se depender deles, vão comer muito… e mexer-se pouco. Num espaço limitado, com comida sempre disponível e poucos estímulos, a obesidade e o sedentarismo aparecem depressa. Além de ficarem redondinhos, estes animais podem desenvolver problemas cardíacos, respiratórios, articulares e até dermatológicos. A boa notícia é que, com algumas mudanças na gaiola e na rotina, é possível ajudá-los a perder peso.
O primeiro passo é olhar com atenção para a gaiola em si. Muitos roedores vivem em espaços demasiado pequenos, com piso plano, comedouro, bebedouro e pouco mais. Para um animal que, na natureza, passaria o dia a explorar, correr, cavar e fugir de predadores, isto é o equivalente a viver num T0 sem janelas. Por isso, sempre que possível, opte por uma gaiola maior do que o mínimo recomendado para a espécie, com vários níveis, túneis, plataformas e esconderijos.
Depois, é essencial transformar a gaiola num ginásio interativo. Para hamsters e algumas espécies de ratos, a clássica roda de exercício é quase obrigatória, mas tem de ser do tamanho certo (para não arquear demasiado a coluna) e de superfície contínua, não de barras, para evitar acidentes nas patas e cauda. Túneis de cartão, tubos de plástico, pontes, casas em alturas diferentes e brinquedos pendurados fazem com que o animal tenha de se deslocar, trepar e investigar. No caso dos porquinhos-da-índia, que não usam roda, pode apostar em túneis, abrigos, pequenas rampas seguras e circuitos com feno e snacks saudáveis.
A forma como dá comida também influencia bastante o nível de atividade. Em vez de ter a taça sempre cheia no mesmo sítio, experimente esconder parte da comida pela gaiola. Outras atividades podem incluir misturar pellets no feno, usar brinquedos de forragem, tubos cheios de feno e ervas, ou até pequenas caças ao tesouro diárias. Isto obriga o roedor a andar, cheirar, procurar e "trabalhar" pela comida, imitando um pouco o comportamento natural.
Outra ajuda importante é proporcionar tempo de exploração fora da gaiola, em segurança. Uma vez que muitos roedores são mestres da fuga (e adoram roer cabos), o ideal é criar um parque ou cercado próprio, com chão seguro, onde possam correr, explorar túneis, caixas de cartão, pontes baixas e brinquedos. 20 a 30 minutos por dia de tempo de recreio já fazem diferença no gasto de energia e na saúde mental do animal. No caso de animais mais tímidos, comece com sessões curtas e tranquilas, deixando sempre esconderijos para que se sintam seguros.
Por fim, convém lembrar que movimento e peso saudável andam de mãos dadas. Se o roedor já está obeso, não basta só aumentar a atividade: é importante ajustar também a alimentação, tanto em quantidade e tipo de ração como em número de snacks e, idealmente, falar com um médico veterinário com experiência em animais exóticos para definir um plano seguro.