Ao contrário das pessoas, os cães e os gatos não conseguem regular a temperatura corporal através da transpiração. Os cães dissipam o calor sobretudo através da respiração ofegante e das almofadas das patas, enquanto os gatos recorrem também à limpeza do pelo para se refrescarem. Quando estes mecanismos deixam de ser suficientes, a temperatura corporal sobe rapidamente e pode surgir uma insolação.
A situação é mais frequente durante o verão, sobretudo após passeios nas horas de maior calor, viagens de carro, permanência em espaços mal ventilados ou exercício físico intenso. Algumas raças braquicefálicas, como Bulldogs, Pugs ou Gatos Persas, bem como animais séniores, obesos ou com doenças cardíacas e respiratórias, apresentam um risco ainda maior.
1. Respiração ofegante ou muito acelerada
Nos cães, este é normalmente o primeiro sinal de alerta. Se o animal estiver a arfar de forma intensa, mesmo depois de descansar ou estar à sombra, pode estar a ter dificuldade em controlar a temperatura corporal. Nos gatos, a respiração de boca aberta é muito menos comum e deve ser encarada como um sinal de urgência.
2. Salivação excessiva e gengivas muito vermelhas
Quando a temperatura corporal aumenta demasiado, é frequente surgir uma produção exagerada de saliva. Ao mesmo tempo, as gengivas podem ficar muito vermelhas ou, em fases mais avançadas, assumir uma coloração arroxeada ou azulada, indicando falta de oxigenação.
3. Fraqueza, desorientação ou dificuldade em andar
Um animal com insolação pode parecer cansado de repente, tropeçar, cambalear ou mostrar-se confuso. Alguns deixam simplesmente de querer andar ou de responder aos estímulos habituais. Este é um sinal de que o calor já está a afetar o sistema nervoso e exige assistência veterinária imediata.
4. Vómitos ou diarreia
O excesso de calor também pode afetar o aparelho digestivo. Vómitos, diarreia e perda de apetite são sintomas relativamente frequentes e, em casos mais graves, podem surgir vestígios de sangue. Quando associados a outros sinais de sobreaquecimento, nunca devem ser desvalorizados.
5. Colapso ou perda de consciência
É o sinal mais grave de todos. Quando a temperatura corporal ultrapassa níveis críticos, o animal pode sofrer convulsões, colapsar ou perder a consciência. Nesta fase, existe risco de falência de órgãos e a vida do animal está seriamente comprometida.
O que fazer se detetar algum destes sinais?
Se suspeitar que o seu cão ou gato está a sofrer uma insolação, leve-o imediatamente para um local fresco e à sombra. Pode arrefecer gradualmente o corpo com água fresca (nunca gelada), sobretudo nas patas, abdómen e pescoço, e disponibilizar água para beber, sem o forçar.
O mais importante é contactar o seu médico veterinário ou dirigir-se de imediato a um hospital. Mesmo que o animal pareça recuperar, podem existir lesões internas que só são detetadas através de avaliação clínica.
Na dúvida, a prevenção continua a ser a melhor opção. Evitar passeios nas horas de maior calor, nunca deixar animais dentro de carros estacionados, garantir acesso permanente a água fresca e sombra e limitar o exercício físico nos dias mais quentes são medidas simples que podem salvar vidas.