Negócio de sangue animal debaixo de fogo após suspeitas de maus-tratos a dezenas de cães
Saúde

Negócio de sangue animal debaixo de fogo após suspeitas de maus-tratos a dezenas de cães

As denúncias envolvem 70 cães de caça usados como dadores de sangue para uma empresa privada.


Um alegado caso de maus-tratos a dezenas de cães de caça no Alentejo está a provocar polémica e a lançar dúvidas sobre o funcionamento do negócio da recolha de sangue animal em Portugal. No centro da investigação estão cerca de 70 cães mantidos numa propriedade em Lavre, no concelho de Montemor-o-Novo, que, além de participarem em caçadas ao javali, eram também utilizados como dadores de sangue para uma empresa privada licenciada para recolha e distribuição de sangue animal.

O caso chegou ao Ministério Público depois de moradores denunciarem ruído constante e alegadas más condições de alojamento dos animais. Imagens divulgadas numa reportagem televisiva mostraram cães alegadamente mantidos em jaulas e carrinhas de transporte durante períodos prolongados, bem como animais feridos ou debilitados.

Uma vistoria realizada por várias entidades, incluindo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), GNR, ICNF e a veterinária municipal, identificou irregularidades relacionadas com higiene, alojamento e bem-estar animal. Embora o relatório não tenha confirmado sinais imediatos de maus-tratos, recomendou melhorias urgentes para evitar sofrimento futuro.

Entretanto, descobriu-se que vários destes cães eram usados como dadores para o Banco de Sangue Animal (BSA), uma das empresas privadas autorizadas pela DGAV a operar nesta área. Segundo os envolvidos, as recolhas eram feitas no próprio terreno onde os animais estavam alojados, chegando a envolver entre 20 e 30 cães por dia. 

Apesar da polémica, especialistas recordam que os bancos de sangue animal têm um papel essencial na medicina veterinária moderna. As transfusões salvam diariamente cães e gatos em situações de emergência, cirurgias ou doenças graves.

Ainda assim, este caso está agora a levantar uma questão inevitável: até que ponto o sistema atual garante que os animais usados como dadores vivem realmente em condições dignas Enquanto decorrem as investigações, alguns cães já foram retirados da propriedade e encaminhados para associações e abrigos. O futuro dos restantes permanece incerto.