Atender pessoas que se identificam como animais? Veterinários ainda não receberam casos em Portugal, mas a Ordem emitiu orientações
Saúde

Há pessoas que se identificam como animais e que exigem serem atendidas por veterinários. Ordem lança novas orientações

Apesar da crescente visibilidade do fenómeno 'therian', não há registo de casos em clínicas veterinárias em Portugal. Ainda assim, a Ordem dos Médicos Veterinários decidiu antecipar cenários e emitir orientações para os profissionais.


A Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) confirmou que não existem, até ao momento, registos de médicos veterinários em Portugal que tenham sido procurados por pessoas que se identificam como animais, conhecidos como 'therians'. Ainda assim, o fenómeno que tem ganho visibilidade nas redes sociais levou a entidade a emitir orientações internas para os profissionais, de forma a esclarecer como agir caso surjam situações deste tipo em contexto clínico.

Segundo a OMV, os veterinários estão legalmente habilitados a prestar cuidados apenas a animais, não podendo realizar atos médicos sobre pessoas, independentemente da forma como estas se identifiquem ou do comportamento que adotem. O tema ganhou atenção pública após reportagens que referem jovens que se apresentam como 'therians', indivíduos que dizem sentir uma ligação profunda, psicológica ou espiritual com determinados animais, chegando por vezes a imitar comportamentos como andar de quatro, miar ou ladrar.

A Ordem sublinha que, mesmo perante a inexistência de casos registados, considerou importante preparar os profissionais para eventuais contactos, sobretudo para garantir clareza jurídica e ética na atuação clínica.

Nos documentos e esclarecimentos emitidos, a OMV reforça que não existe na legislação portuguesa qualquer reconhecimento de uma "identidade animal" com efeitos legais, pelo que uma pessoa continua a ser, do ponto de vista jurídico, uma pessoa humana. Perante um eventual pedido de atendimento, a orientação é clara: o médico veterinário deve recusar a prestação de cuidados de saúde a pessoas e explicar, de forma adequada e respeitosa, os limites da sua prática profissional.

O fenómeno "therian" não é novo a nível internacional e tem raízes em comunidades online que existem desde os anos 90, onde se discutem identidades ligadas ao mundo animal, ora de forma espiritual, ora psicológica ou simbólica. Em Portugal, o tema permanece sobretudo mediático e associado às redes sociais, sem impacto clínico registado até ao momento, mas já com burburinho suficiente para levar a classe veterinária a preparar respostas e linhas de atuação para o futuro.