Frio, humidade e fungos. Estas são as doenças de pele mais comuns em cães e gatos nesta altura do ano
Saúde

Frio, humidade e fungos. Estas são as doenças de pele mais comuns em cães e gatos nesta época do ano

Saiba o que é sazonal, o que é preocupante e quando é hora de ir ao veterinário.


No inverno, não são só as nossas mãos que ficam secas e a pedir creme. Cães e gatos também sofrem com o frio, a humidade e o vai e vem entre rua gelada e casa aquecida, e isso abre a porta a vários problemas de pele e fungos. Neste artigo explicamos-lhe quais os sintomas e problemas mais comuns e como pode evitá-los.

Uma das consequências mais comuns do inverno é a pele seca e irritada, com descamação e prurido (comichão). A humidade exterior, seguida de ambientes muito aquecidos e secos, altera o equilíbrio da pele de cães e gatos e pode agravar alergias já existentes. Quando o animal se coça mais, lambe ou morde a pele, cria microferidas por onde bactérias oportunistas entram, originando piodermas (infeções bacterianas da pele) ou abcessos em casos mais graves. E é muito fácil que uma pele seca se transforme em zonas avermelhadas, com mau cheiro e dor, que precisam de tratamento veterinário e, muitas vezes, de antibiótico.

O inverno também favorece alguns fungos, sobretudo porque passamos todos mais tempo fechados e em ambientes húmidos. Um dos mais conhecidos é o da dermatofitose (tinha), uma infeção superficial da pele e do pelo, contagiosa para outros animais e pessoas, que provoca zonas de queda de pelo, crostas, descamação e, às vezes, lesões em forma de anel. Estudos recentes em Portugal mostram que a dermatofitose é relativamente frequente em animais de companhia, sobretudo em gatos (17,4% dos casos suspeitos, contra 9,1% em cães), sendo o fungo Microsporum canis o principal culpado. Como no inverno os animais passam mais tempo juntos dentro de casa, a transmissão por contacto direto ou por escovas, mantas e superfícies contaminadas torna-se mais provável.

Já em partes do corpo dos nossos animais, que são por norma mais quentes e húmidas como as pregas da pele, entre os dedos e interior das orelhas, as infeções por leveduras do género Malassezia são muito comuns. Estes fungos vivem normalmente na pele de cães e gatos, mas quando há humidade, alergias, dobras de pele ou orelhas mal ventiladas, podem multiplicar-se em excesso e causar dermatites e otites muito pruriginosas, com cheiro forte e pele espessada ou muito vermelha. Vários estudos mostram que Malassezia pachydermatis é um dos principais agentes de otite externa e dermatite em cães e também em gatos. 

Mas o que pode fazer, na prática, para prevenir estes problemas? Alguns básicos ajudam muito: secar bem o animal depois de sair à chuva, não deixar o pelo constantemente húmido, evitar banhos em excesso no inverno e usar apenas champôs indicados pelo médico veterinário. Manter a casa limpa e arejada reduz o pó, bolores e humidade que irritam a pele e favorecem fungos. No caso de gatos e cães de pelo longo, a escovagem regular impede nós e zonas de pele mal ventiladas. E, claro, qualquer lesão persistente, seja queda de pelo localizada, crostas, placas vermelhas, cheiro intenso, comichão contínua ou orelhas com secreção, deve ser motivo para marcar consulta no veterinário.

Em resumo, o inverno não causa doenças de pele por magia, mas cria o cenário perfeito para que secura, bactérias e fungos aproveitem qualquer fragilidade. Estar atento ao que muda na pele e no pelo do seu cão ou gato nesta altura do ano, e agir cedo, é a melhor forma de problemas de saúde.