Cães e gatos redondinhos ou com peso a mais? A obesidade animal já é uma epidemia silenciosa
Saúde

Cães e gatos redondinhos ou com peso a mais? A obesidade animal já é uma epidemia silenciosa

Entre snacks, olhares irresistíveis e sestas no sofá, cada vez mais cães e gatos estão a ganhar peso. E isso pode trazer sérios riscos para a saúde.


Há cães que correm atrás da bola durante horas e gatos que transformam a casa num circuito olímpico de parkour. Mas também há os que preferem dormir 18 horas por dia, pedinchar petiscos com olhares dramáticos e tratar o sofá como a sua casa. Qual é o problema? A obesidade nos animais de companhia está a aumentar e os veterinários estão preocupados.

Segundo o último estudo da APOP, estima-se que cerca de metade dos animais de companhia tenha excesso de peso ou obesidade, um cenário que acompanha aquilo que também acontece com os humanos. E não, aquele clássico "ele é só fofinho" já não convence os médicos veterinários.

A obesidade animal é atualmente considerada uma doença e pode trazer consequências bastante sérias para cães e gatos. Problemas articulares, dificuldades respiratórias, diabetes, doenças cardíacas e menor qualidade de vida são apenas algumas das complicações associadas ao excesso de peso. Em muitos casos, os animais tornam-se menos ativos, cansam-se rapidamente e acabam por entrar num ciclo de sedentarismo difícil de quebrar.

Os especialistas alertam que os hábitos dos tutores têm um impacto enorme no peso dos animais. Entre restos de comida, petiscos a toda a hora e pouca atividade física, muitos cães e gatos acabam por consumir muito mais calorias do que aquelas que gastam diariamente.

Depois há os mestres da manipulação emocional. Aqueles cães que fazem uma cara de tristeza absoluta cinco minutos depois de jantar. Ou gatos que choram como se estivessem há três dias sem comer, mesmo com a taça cheia. Um snack aqui, outro ali e o peso sobe sem grande dificuldade.

Identificar a obesidade nem sempre é simples para os donos. Muitos habituam-se ao aspeto do animal e só percebem que existe um problema quando surgem dificuldades em caminhar, cansaço excessivo ou falta de mobilidade. Os veterinários explicam que sinais como costelas difíceis de apalpar, ausência de cintura visível e acumulação de gordura na base da cauda podem indicar excesso de peso.

A boa notícia é que a situação pode ser revertida, embora exija um compromisso. Alimentação equilibrada, controlo das porções e exercício físico continuam a ser as principais armas contra a obesidade animal. E não é preciso transformar o cão num atleta olímpico: caminhadas diárias, brincadeiras mais ativas e estímulos dentro de casa já fazem diferença.

No caso dos gatos, o desafio pode ser ainda maior. Muitos vivem exclusivamente dentro de casa e passam grande parte do tempo entre sestas estratégicas e observação contemplativa da parede. A solução passa por enriquecer o ambiente com brinquedos, arranhadores, circuitos e momentos de interação que incentivem o movimento.

Amar um animal também significa cuidar da sua saúde. E isso inclui resistir à tentação de oferecer só mais um biscoito quando aquele olhar irresistível entra em ação.