O cão Orelha, animal comunitário cuja morte brutal gerou indignação em todo o Brasil, foi homenageado no desfile da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, no Carnaval do Rio de Janeiro. A lembrança surgiu numa das alegorias apresentadas na Marquês de Sapucaí, emocionando o público presente e espetadores nas redes sociais.
A escola levou para a avenida um carro alegórico repleto de esculturas de cães, muitos deles representados como os populares "vira-latas caramelos", usando óculos coloridos. Entre as figuras, uma placa com o nome de Orelha destacou-se como símbolo de homenagem e protesto contra os maus-tratos animais.
O tributo integrou o enredo da Mocidade, que celebrou a cantora Rita Lee, conhecida também pelo seu ativismo em defesa dos animais. A presença de Orelha reforçou a mensagem da escola sobre respeito e proteção animal, transformando o desfile num momento de reflexão além da festa carnavalesca.
Orelha era um cão comunitário que vivia na Praia Brava, em Florianópolis, sendo cuidado por moradores locais. Em janeiro, foi atacado por um grupo de adolescentes, sofrendo ferimentos graves que levaram à eutanásia no dia seguinte. O caso provocou forte comoção nacional e desencadeou investigações policiais e debates sobre leis de proteção animal. A repercussão ultrapassou as redes sociais e chegou ao campo político e legislativo, com propostas inspiradas no caso destinadas a reforçar o combate aos maus-tratos contra animais em municípios brasileiros.
A escola de samba Mocidade acabou assim por transformar uma história marcada pela violência numa homenagem pública. Para muitos foliões, o momento simbolizou não apenas a lembrança de um único animal, mas também um apelo por maior consciência e empatia na relação entre humanos e animais.