Mais de mil cães destinados a experiências científicas foram resgatados nos Estados Unidos numa operação que está a gerar enorme impacto mediático e a reacender o debate sobre o uso de animais em investigação laboratorial. O caso envolve a Ridglan Farms, uma instalação no estado do Wisconsin especializada na criação de Beagles para investigação biomédica. Segundo organizações de defesa animal, os cães eram vendidos a laboratórios e utilizados em testes científicos.
A ação foi organizada por ativistas do grupo Direct Action Everywhere (DxE), que há vários meses denunciavam alegadas condições inadequadas no local. O objetivo inicial era retirar cerca de dois mil cães da propriedade, numa operação considerada pelos próprios como o maior resgate animal de sempre.
Segundo o acordo alcançado com as autoridades norte-americanas, a empresa vai perder a licença estatal até julho de 2026, ficando impedida de continuar a criar ou vender cães para fins científicos. A decisão surgiu no âmbito de um processo judicial relacionado com alegações de maus-tratos animais. Nas últimas semanas, centenas de ativistas concentraram-se junto às instalações da Ridglan Farms, com alguns protestos a terminarem em confrontos com a polícia e detenções.
O objetivo era pressionar pelo encerramento da exploração e pela retirada dos animais. Apesar de uma primeira tentativa ter terminado em confrontos com a polícia e dezenas de detenções, os ativistas acabaram por conseguir retirar mais de mil animais da instalação. Agora, os cães estão a ser transferidos para organizações parceiras e associações de proteção animal espalhadas pelos Estados Unidos. Antes de seguirem para adoção, os animais vão receber cuidados veterinários, vacinas, microchip e avaliações comportamentais.
Este caso trouxe novamente para o centro da discussão o papel dos animais na ciência. Os Beagles são uma das raças mais utilizadas em investigação biomédica devido ao seu porte, comportamento dócil e previsibilidade genética. Ao mesmo tempo, são também dos cães que mais empatia geram junto do público, tornando estes casos particularmente sensíveis.
Agora, depois de uma vida inteira destinada a laboratórios, milhares destes animais terão agora algo completamente novo: uma casa, uma família e, pela primeira vez, a possibilidade de simplesmente serem cães.