Um cão de resgate da Guardia Civil espanhola tornou-se um símbolo de coragem e resistência depois de ter trabalhado até à exaustão na busca de vítimas de avalanches nos Pirenéus. O episódio ocorreu no contexto dos recentes desastres de neve na província de Huesca, onde, em apenas três dias, morreram quatro alpinistas em dois aludes distintos.
Foi neste contexto que entrou em ação o cão de resgate do GREIM (Grupo de Rescate e Intervención en Montaña) da Guardia Civil, acompanhado do seu guia. As equipas cinotécnicas foram chamadas para localizar o montanhista sepultado sob a neve, recorrendo ao faro extremamente apurado destes animais para detetar o cheiro humano mesmo a grande profundidade. Depois de várias horas de busca, o corpo foi finalmente encontrado sem vida, num cenário descrito pelos próprios meios espanhóis como uma longa e extenuante operação.
Imagens oficiais divulgadas pela Guardia Civil e por órgãos de comunicação espanhóis mostram Unkar a trabalhar sem parar sobre o manto de neve, guiado em ziguezague pelo tutor, a cavar e a farejar a superfície em busca de qualquer rasto do homem desaparecido. Em algumas fotografias vê-se o animal claramente cansado, a deitar-se por momentos antes de retomar a busca.
A atuação deste cão de resgate acontece poucos dias depois de outra avalanche, no pico Tablato, em Panticosa, que vitimou três esquiadores e deixou uma quarta pessoa ferida por hipotermia. Também aí os cães da Guardia Civil tiveram um papel fundamental, integrados num dispositivo que envolveu várias equipas do GREIM, a unidade aérea de Huesca, serviços médicos de emergência e autoridades regionais.
Especialistas em montanhismo e proteção civil voltaram a sublinhar a importância dos cães de resgate em cenários de avalanche: encurtam drasticamente o tempo das buscas, reduzem o risco para os próprios socorristas e podem fazer a diferença entre a vida e a morte nos primeiros minutos após uma avalanche.