Estes cães conseguem identificar cancro pelo olfato. E impressionaram a Rainha Camilla | Créditos: Aaron Chown/PA
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Estes cães conseguem identificar doenças como o cancro pelo olfato. E impressionaram a rainha Camilla de Inglaterra
A iniciativa da Medical Detection Dogs pretende chamar à atenção para o potencial dos cães na deteção precoce de doenças.
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A rainha Camilla de Inglaterra recebeu esta semana, em Clarence House, dois cães treinados para detetar cancro através do olfato, numa iniciativa que está a destacar o papel cada vez mais surpreendente dos animais na área da saúde. O encontro aconteceu no âmbito do apoio da rainha à organização britânica Medical Detection Dogs, uma instituição que treina cães para identificar doenças humanas através do cheiro, incluindo vários tipos de cancro.
Durante a visita, a mulher de Carlos III conheceu os labradores Jodie e Floren, treinados pela associação, e acompanhou demonstrações do trabalho desenvolvido pelos animais, capazes de detetar alterações químicas associadas a doenças em amostras humanas.
Floren, um labrador de 11 anos, é especializado na deteção de cancro da próstata através da análise de amostras de urina. Já Jodie, de 9 anos, foi treinado para identificar sinais associados ao cancro do intestino. Durante a visita, os cães realizaram demonstrações práticas das suas capacidades olfativas perante a rainha.
Camilla conhece Floren, o labrador de pelagem vermelha | Créditos: Aaron Chown/PA
Jodie, a cadela de deteção médica do cancro do cólon | Créditos: Aaron Chown/PA
Camilla é madrinha da instituição de caridade Medical Detection Dogs desde 2014 | Créditos: Aaron Chown/PA
A diretora-executiva da organização, Claire Guest, apresentou ainda à monarca os investigadores e responsáveis envolvidos no projeto. A Medical Detection Dogs trabalha há vários anos na investigação da capacidade olfativa dos cães, explorando a sua utilização na deteção precoce de patologias como cancro colorretal, próstata, mama e Parkinson. Segundo a instituição, os cães conseguem identificar compostos orgânicos voláteis libertados pelo corpo humano quando existe doença.
Embora a ideia possa parecer quase saída de um filme, vários estudos científicos têm vindo a confirmar o enorme potencial do olfato canino na deteção de doenças. Os cães possuem até 300 milhões de recetores olfativos (muito acima dos cerca de seis milhões dos humanos), o que lhes permite identificar odores impercetíveis para as pessoas.
Um dos maiores estudos realizados no Reino Unido envolveu nove cães e cerca de três mil pacientes, analisando a deteção de cancros da próstata, bexiga e rins. Os resultados mostraram potencial promissor para utilização futura destes métodos em apoio ao diagnóstico precoce.
Ainda assim, organizações como a Cancer Research UK sublinham que a precisão destas técnicas continua em avaliação e que a utilização clínica em larga escala ainda requer mais investigação científica. Apesar das dúvidas, uma coisa parece certa: Floren e Jodie já conquistaram a atenção da realeza e continuam a mostrar que o extraordinário olfato dos cães pode vir a ter um papel importante no futuro da medicina.