Para a maioria de nós, um cão é o melhor amigo do homem e um membro da família. No entanto, para Noah Gabriel Martin, professor na Universidade de Winchester e diretor do College of Modern Anxiety, os amigos de quatro patas são tudo menos um bónus. Num artigo de opinião honesto (e um pouco polémico) publicado no The Telegraph, Noah admitiu que não só não gosta de cães, como mal os consegue suportar.
A revelação pode parecer apenas uma questão de gosto pessoal, mas, no mercado moderno dos encontros, pode ser uma verdadeira linha vermelha (ou 'red flag'). Noah explica que, hoje em dia, as apps de encontros estão povoadas por 'amantes de cães' assumidos. "Só saio com quem gosta de cães" ou "O meu Springer Spaniel é a coisa mais importante da minha vida" são frases que o professor lê com frequência e que o deixam a questionar se haverá espaço para ele no coração de alguém que coloca o bem-estar canino acima de tudo o resto.
O filósofo confessa que desenvolveu uma tática de sobrevivência: adiar a confissão o máximo possível. O medo não é da honestidade, mas sim da reação. Noah descreve um olhar que já conhece bem por parte das suas pretendentes, uma mistura de pena e horror, como se a falta de afeto por patudos fosse uma falha grave de carácter ou um trauma por resolver.
A questão central, segundo o professor, é a forma como os cães passaram de animais de estimação a extensões da identidade dos donos. Por isso, enquanto muitos procuram um parceiro que aceite o seu fiel companheiro de quatro patas, Noah procura alguém que, tal como ele, prefira um jantar sossegado sem o som de patinhas a bater no chão da cozinha.
Embora o tom do seu desabafo tenha contornos humorísticos, o dilema de Noah levanta uma questão pertinente para os utilizadores de apps de encontros: será que o amor pelos animais se tornou um critério de exclusão inultrapassável?