Encontrou um cão perdido à porta de casa? Saiba o que fazer (e o que não fazer)
Pets

Encontrou um cão perdido à porta de casa e não sabe o que deve ou não fazer? Temos todas as respostas para si!

É um cenário cada vez mais comum: um cão aparece desorientado na rua e a primeira reação é querer ajudá-lo. Mas há alguns passos importantes a seguir.


Encontrar um cão perdido na rua pode ser ao mesmo tempo emocionante e angustiante. Dá vontade de levá-lo logo para casa e resolver, mas há alguns passos importantes a seguir para garantir a segurança do animal, a sua segurança e aumentar as hipóteses de ele voltar à família. Por isso, hoje partilhamos um guia sobre como proceder caso encontre um patudo perdido.

1. Primeiro, a segurança. Sua e do cão

Antes de tudo, avalie o contexto. Está numa estrada movimentada, num parque, num bairro calmo? Se for seguro aproximar-se, agache-se, fale com voz calma e evite movimentos bruscos. Um cão assustado pode fugir ou morder por medo. Se ele estiver a mostrar sinais de agressividade, como rosnar, mostrar dentes, pelo eriçado, não insista: ligue para a polícia, bombeiros ou serviços municipais para pedir ajuda. Se estiver calmo, tente improvisar uma trela (com um lenço, cinto ou corda) para que não volte a fugir.

2. Verificar se tem identificação visível

Muitos cães têm uma medalha na coleira com nome e contacto do tutor. Se conseguir ler, o ideal é ligar de imediato para o número indicado. Por vezes têm apenas o nome; ainda assim, é útil para o chamar e acalmar. Se não houver coleira ou não tiver dados, o passo seguinte é procurar um sítio seguro onde o cão possa esperar seja a sua casa, o pátio do prédio, o jardim de um vizinho disponível, uma loja amiga de animais, entre outros. O importante é tirá-lo do perigo e mantê-lo contido temporariamente.

3. Levar a um veterinário ou entidade oficial para ler o microchip

Em Portugal, por lei, os cães devem ter microchip. Qualquer clínica veterinária, canil municipal ou associação de proteção animal consegue ler o chip em segundos e encontrar os dados do tutor no sistema e, normalmente este serviço é gratuito. Se não tiver carro, pode pedir ajuda a amigos, um táxi que aceite animais ou, em alguns casos, às autoridades locais. Se o cão tiver chip atualizado, muitas vezes o tutor é contactado na hora e o reencontro acontece aí mesmo.

4. Ativar a rede de alertas

Se o cão não tiver chip ou os dados estiverem desatualizados, é altura de usar a força da comunidade. Tire boas fotografias (de corpo inteiro e do focinho), registe o local e a hora em que o encontrou e partilhe em grupos de Facebook e WhatsApp da zona, páginas de desaparecidos, associações locais e até apps ou sites dedicados a animais perdidos. Quanto mais específico for ("encontrado hoje, 10h30, na Rua X, junto ao café Y"), mais fácil é para alguém o reconhecer. Colocar um ou dois cartazes simples na área também pode ajudar, pois há tutores, especialmente mais idosos, que não usam redes sociais.

5. Contactar a Câmara Municipal, polícia ou associações

É sempre boa ideia informar o canil municipal ou os serviços veterinários da câmara de que encontrou um cão. Se não o puder acolher temporariamente, pode ser necessário que seja recolhido oficialmente e, nesse caso, cada município tem o seu procedimento próprio. Associações de proteção animal também podem orientar, partilhar o alerta ou, em casos específicos, ajudar com um lar temporário. O importante é pensar que quanto mais entidades souberem do caso, maiores as hipóteses de o tutor chegar até ao animal.

6. E se ninguém aparecer? Posso ficar com o cão?

É compreensível apegar-se rapidamente, mas convém dar alguns dias de margem com divulgação ativa antes de assumir que o cão foi abandonado. Há famílias desesperadas à procura que podem demorar um pouco a ver o anúncio certo. Se depois de algum tempo, com chip inexistente ou desatualizado, ninguém o reclamar, pode falar com a câmara ou com um veterinário sobre como formalizar a adoção, com  o registo em seu nome, vacinação, desparasitação, esterilização, entre outros. Assim fica tudo legal e o cão deixa oficialmente de estar perdido para passar a ser membro da sua família.

No meio da confusão, lembre-se que só o facto de ter parado, recolhido o cão e tentado ajudar já faz uma diferença enorme. Seguindo estes passos, não está apenas a salvar um patudo de um dia mau, pode estar a devolver um membro da família a casa. E, se ninguém o reclamar, quem sabe se não acabou de encontrar o seu novo melhor amigo.