Se vive com um cão, já deve ter reparado numa coisa curiosa: ele não trata toda a gente da mesma maneira. Obedece mais depressa a uma pessoa, segue outra para todo o lado e ignora solenemente aquela que jura que é a dona da casa. Coincidência? Nem por isso. Na verdade, os cães não escolhem um líder com base em cargos, títulos ou volume de voz. A decisão é muito mais subtil e, às vezes, surpreendente.
Para um cão, o verdadeiro líder é quem age de forma previsível. A pessoa que impõe regras claras, mantém rotinas e reage sempre de forma semelhante ganha pontos rapidamente. Hoje não pode subir para o sofá e amanhã já pode? Isso só cria confusão. E os cães não gostam de confusão.
Outro ponto são os passeios, comida, brincadeiras e atenção. O cão observa atentamente quem controla estas coisas essenciais. Não é sobre autoritarismo, é sobre gestão do quotidiano. Se é sempre a mesma pessoa a pegar na trela, servir a ração e decidir quando é hora de brincar ou descansar, há fortes hipóteses de ser visto como uma referência.
Surpreendentemente, os cães tendem a respeitar mais quem é calmo e confiante do que quem grita ou se agita. Um tom firme, linguagem corporal tranquila e reações ponderadas transmitem liderança natural. O cão pensa algo como: "Esta pessoa sabe o que está a fazer. Vou segui-la".
E, por fim, mimar não tira autoridade, desde que não seja caótico. Os cães gostam de afeto, mas valorizam ainda mais quem define limites sem deixar de ser carinhoso. O líder ideal, para um cão, é aquele que protege, orienta e dá colo, mas não perde o controlo da situação.
E aí em casa? Quem é o líder da "matilha".