Os Centros de Recolha Oficial (CRO) têm um papel essencial no acolhimento, tratamento e encaminhamento de animais abandonados ou errantes, mas gerir tantos animais continua a ser um desafio. Os dados mais recentes da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) mostram que, em 2025, foram recolhidos 40.098 cães e gatos pelos CRO registados em Portugal.
O problema não termina quando um animal entra num centro. Depois da recolha, é necessário garantir alimentação, cuidados veterinários, espaço adequado e, sempre que possível, encontrar uma nova família. Em 2025, foram adotados 22.375 animais, enquanto 43.165 foram esterilizados. A esterilização é, aliás, uma das principais estratégias previstas na legislação portuguesa para controlar a população de animais errantes.
A legislação estabelece que os CRO não podem recorrer à eutanásia por motivos de sobrelotação ou falta de capacidade económica. A prioridade deve passar pela recolha, esterilização e adoção, enquanto no caso das colónias de gatos são previstos programas de Captura, Esterilização e Devolução (CED).
Os números mostram, contudo, a dimensão do trabalho que continua a ser necessário. Apesar de a DGAV assinalar uma tendência de diminuição das recolhas nos últimos anos, também registou uma redução das adoções desde 2023. Em 2025, foram ainda eutanasiados 1.814 animais nos CRO devidamente registados, por razões previstas na legislação, como questões relacionadas com o estado de saúde ou comportamento.
Para tentar responder a estes desafios, estão previstos em 2026 vários apoios públicos para o bem-estar dos animais de companhia. A DGAV tem programas destinados, entre outras áreas, à requalificação dos CRO, esterilização, identificação eletrónica, cuidados veterinários e promoção da detenção responsável. O objetivo é reforçar as estruturas e atuar também na prevenção, evitando que tantos animais acabem por chegar aos centros.
Ainda assim, os próprios dados oficiais devem ser lidos com alguma cautela. O relatório de 2025 teve uma taxa de resposta de 60,5% dos municípios com CRO registados, e a DGAV alerta que os números não representam necessariamente toda a realidade nacional. A entidade pretende, durante 2026, harmonizar a recolha de informação para conseguir obter dados mais completos e comparáveis.
Combater a sobrepopulação animal não passa apenas por aumentar a capacidade dos centros. E a identificação dos animais, a esterilização, a adoção responsável e, sobretudo, evitar o abandono são peças fundamentais para reduzir a pressão sobre estas estruturas.