Sona, o último tigre de circo em Portugal vai viver num santuário em Espanha. Esteve 16 anos em cativeiro
Mundo Animal

Sona, o último tigre de circo em Portugal vai viver num santuário em Espanha. Esteve 16 anos em cativeiro

De acordo com dados da Animal Defenders International (ADI) e da Born Free Foundation, é difícil precisar, mas estima-se que existam ainda 2.000 e 5.000 animais selvagens em circos de todo o mundo, em 2026.


O último tigre utilizado em espetáculos de circo em Portugal foi finalmente transferido para um santuário em Espanha, marcando o fim de uma era no nosso País. A felina branca, batizada de Sona, viveu durante 16 anos em cativeiro e passou grande parte da sua vida a ser exibida como atração, até à entrada em vigor da legislação que proibiu o uso de animais selvagens nos circos.

A transferência aconteceu após o término do período de adaptação previsto na lei portuguesa aprovada em 2019, que deu aos circos até ao final de 2025 para deixarem de utilizar estes animais. De referir que a proibição não se aplica a animais domésticos ou de companhia (como cavalos ou cães), desde que sejam respeitadas as normas de bem-estar animal. Sona, considerada a última felina circense em território nacional, foi agora acolhida num santuário para grandes felinos em Alicante, onde começará um novo capítulo longe da exploração.

A operação de transferência foi conduzida pela Fundação AAP, em colaboração com a Pangea Trust, entidades que acompanhavam o caso há vários anos. De acordo com organizações, Sona foi explorada desde os três meses de idade e utilizada em truques de magia e espetáculos. Fora da pista de circo, vivia confinada a um reboque com acesso a uma pequena jaula exterior, condições que limitaram severamente o seu bem-estar ao longo dos anos.

Embora Portugal se junte agora ao grupo de mais de 50 países que baniram esta prática, a realidade mundial permanece complexa. Estimativas recentes de organizações como a Animal Defenders International indicam que ainda existem ainda milhares de animais selvagens a trabalhar em circos por todo o mundo em 2026. Já o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas)concluiu em 2022 o processo de recolha dos últimos animais selvagens entregues voluntariamente pelos circos.

Numa notícia do Público em abril de 2025, foi mencionado que restavam apenas dois animais selvagens registados em Portugal, um elefante e um tigre, mas que nenhum deles era já utilizado em espetáculos circenses.

Enquanto a União Europeia lidera a mudança, com 25 estados-membros a aplicar proibições totais ou parciais, vastas regiões da Ásia e da América Latina ainda mantêm milhares de exemplares em cativeiro itinerante. A falta de legislação federal em países como os Estados Unidos e o Brasil também contribui para que estes números não desçam de forma mais célere.

Em Portugal, muitos empresários do setor souberam reinventar-se, apostando agora exclusivamente no talento humano, no ilusionismo e em tecnologias de ponta, como hologramas e realidade aumentada, seguindo o modelo de sucesso de companhias como o Cirque du Soleil.