A luta contra a caça de troféus ganhou novos rostos. Mais de 500 celebridades, especialistas em conservação da natureza e defensores dos animais juntaram-se a uma campanha internacional que apela à proibição da importação de troféus de caça para a União Europeia, com a iniciativa Ban Trophy Hunting.
Entre os apoiantes está o músico Paul McCartney, a atriz Catherine Zeta-Jones e outras figuras públicas que assinaram uma carta dirigida ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pedindo uma posição mais firme contra a caça de animais para obtenção de troféus. A iniciativa pretende chamar a atenção para o impacto desta atividade na conservação da biodiversidade e incentivar uma mudança nas políticas internacionais.
A campanha é apoiada pela organização Humane World for Animals, que há vários anos defende o fim da importação de troféus provenientes de espécies protegidas. Segundo a organização, a União Europeia continua a ser um dos maiores importadores mundiais deste tipo de troféus, ficando apenas atrás dos Estados Unidos.
Dados apresentados pela instituição indicam que, entre 2014 e 2018, entraram na UE cerca de 15 mil troféus de 73 espécies protegidas ao abrigo da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas (CITES).
Os defensores da campanha argumentam que a caça de troféus representa uma ameaça adicional para espécies já vulneráveis, como leões, elefantes, leopardos, rinocerontes ou chitas, e contestam a ideia de que esta prática contribui de forma significativa para a conservação da natureza ou para o desenvolvimento económico das comunidades locais.
Em alternativa, defendem o investimento em atividades como o ecoturismo e a observação de vida selvagem, que permitem gerar receitas sem colocar os animais em risco.
A discussão em torno da caça de troféus tem ganho força nos últimos anos e alguns países europeus já avançaram com restrições à importação de determinados troféus. Agora, os promotores da campanha querem que a medida seja alargada a toda a União Europeia, criando regras comuns para os Estados-membros e reforçando a proteção da vida selvagem.