Visões, raposas e chinchilas podem deixar de ser criados para peles na Catalunha | Créditos: Getty Images
Mundo Animal

Em defesa dos animais! Visons, raposas e chinchilas podem deixar de ser criados para peles na Catalunha

O Parlamento regional aprovou uma proposta que pretende transformar o território numa zona livre deste tipo de explorações.


A Catalunha está mais perto de pôr fim à criação de animais destinados exclusivamente à produção de peles. A Comissão de Transição Ecológica do Parlamento catalão aprovou uma proposta de resolução que insta o Governo da Generalitat a avançar com uma lei que proíba este tipo de explorações e impeça a instalação de novas unidades no território. A iniciativa foi aprovada sem votos contra e representa um importante passo político rumo ao fim desta atividade na região.

A resolução prevê a proibição da criação de animais com fins exclusivamente peleiros, incluindo espécies como visões, raposas, chinchilas e guaxinins. Embora a medida ainda não tenha força de lei, abre caminho para que o Governo catalão desenvolva legislação específica que transforme esta intenção numa proibição efetiva.

Curiosamente, atualmente não existem explorações de produção de peles em funcionamento na Catalunha. Ainda assim, os partidos que apoiaram a iniciativa defendem que a proibição é uma medida preventiva, evitando que empresas se instalem na região na sequência das restrições que têm vindo a ser adotadas noutros países europeus.

Durante o debate parlamentar, foram também destacados os riscos associados a este tipo de atividade. Além das preocupações com o bem-estar animal, os deputados referiram potenciais impactos na saúde pública, nomeadamente devido à transmissão de doenças entre animais e humanos, e os efeitos negativos sobre a biodiversidade caso ocorram fugas de espécies exóticas para o meio natural. Também foram mencionadas as elevadas emissões ambientais e a poluição associadas às explorações peleiras.

A proposta contou com o apoio de várias forças políticas e surgiu após um trabalho conjunto entre organizações de proteção animal, como a ARDE, e a associação de juristas INTERCIDS, que têm defendido o fim da indústria da pele em Espanha. Nos próximos meses, estas entidades deverão apresentar uma proposta legislativa detalhada para apoiar o processo de aprovação da futura lei.

Caso a legislação avance, a Catalunha tornar-se-á o primeiro território espanhol a proibir especificamente a criação de animais para produção de peles. A decisão acompanha uma tendência crescente na Europa, onde mais de duas dezenas de países já adotaram medidas semelhantes ou anunciaram o fim gradual desta atividade, refletindo uma preocupação cada vez maior com o bem-estar animal e a sustentabilidade. Portugal, por exemplo, ainda não adotou uma proibição específica da criação de animais para produção de peles, como aquela que a Catalunha pretende implementar.