A lontra-europeia (Lutra lutra), uma das espécies mais emblemáticas da fauna portuguesa, voltou a ser detetada na Serra de Sintra, depois de décadas sem registos confirmados da sua presença naquela área protegida. A descoberta está a ser encarada como um importante indicador da recuperação ambiental do território.
O Parque Natural de Sintra-Cascais, gerido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), chegou mesmo a referir, na informação disponível sobre a fauna do parque, que não existiam observações recentes de lontras na serra. O novo avistamento vem, por isso, alterar esse cenário e reforçar a importância dos esforços de conservação desenvolvidos na região.
A lontra é um mamífero semiaquático que depende de rios, ribeiras e zonas húmidas com água limpa e abundância de alimento, como peixes, anfíbios e crustáceos. Por esse motivo, a sua presença é frequentemente considerada um excelente indicador da boa qualidade dos ecossistemas aquáticos. Quando as lontras regressam, significa normalmente que o habitat oferece condições favoráveis para a sua sobrevivência.
Apesar de ser relativamente comum em várias zonas de Portugal, este animal é extremamente discreto. Tem hábitos sobretudo noturnos, desloca-se silenciosamente ao longo das linhas de água e raramente se deixa observar diretamente, o que torna cada novo registo particularmente valioso para os investigadores.
Nos últimos anos, têm sido desenvolvidas diversas ações de valorização ecológica no Parque Natural de Sintra-Cascais, incluindo projetos de recuperação de habitats, controlo de espécies invasoras e promoção da biodiversidade. Mais recentemente, a Tapada de Monserrate ganhou novos percursos dedicados à educação ambiental e à aproximação da população à Natureza, enquadrados nos objetivos nacionais de restauro dos ecossistemas.
Embora seja cedo para saber se existe já uma população estabelecida de lontras na Serra de Sintra ou se se trata apenas de um indivíduo em dispersão, o regresso da espécie é encarado como uma notícia muito positiva para a biodiversidade da região. Os especialistas sublinham, contudo, que a preservação dos cursos de água e a redução das perturbações humanas continuam a ser fundamentais para que a espécie se possa manter no território.