No BioParque do Rio, no Brasil, os gelados não são só para os visitantes humanos. Em pleno verão e com três dias seguidos de calor recorde, o jardim zoológico do Rio de Janeiro distribuiu gelados de carne picada, sangue e frutas a vários animais para os ajudar a suportar temperaturas que chegaram aos 41ºC. A iniciativa, já habitual nos dias mais quentes, foi acompanhada por visitantes e meios de comunicação e rapidamente deu a volta ao mundo.
Entre os sortudos estiveram onças-pintadas, ursos-de-óculos, lontras, lobos-guará e várias espécies de macacos. Cada espécie recebeu um sabor ajustado à sua dieta: gelados de carne moída para as onças, de sangue para os lobos-guará, de melão para os ursos e de frutas variadas para os primatas. Alguns animais aproveitaram ainda para se refrescar em piscinas e tanques enquanto saboreavam as paletas congeladas.
A bióloga de bem-estar do BioParque, Letícia Feitosa, explicou que se trata de uma atividade de enriquecimento ambiental com um objetivo claro: proporcionar alívio térmico e estimular comportamentos naturais, como procurar e manipular o alimento. Segundo a especialista, as alterações climáticas são hoje uma preocupação constante, por ameaçarem várias espécies e obrigarem jardins zoológicos a adaptar recintos, rotinas e estratégias de bem-estar em períodos de calor extremo.
O BioParque do Rio, antigo RioZoo, ocupa cerca de 50 mil metros quadrados na Quinta da Boa Vista, um parque histórico da zona norte da cidade. Além dos gelados, o espaço tem vindo a apostar em sombras, zonas com e sem sol e acesso a água corrente ou piscinas para várias espécies, numa tentativa de reduzir o chamado stress térmico que também afeta animais selvagens em cativeiro.
A distribuição de gelados coincidiu com um episódio de calor que colocou o Rio de Janeiro em alerta de nível 3, depois de a cidade se tornar a primeira capital brasileira de 2026 a ultrapassar os 40 ºC, com máximas oficiais de 40,8 ºC e sensação térmica ainda mais elevada.