Trazer um novo gato para casa é sempre um momento de mudança. Mais movimentos, novos sons, cheiros e rotinas. Mas, se não for bem gerido, também pode ser meio caminho andado para o stress, para o gato que chega e para quem já lá vive. A boa notícia? Com alguma preparação e paciência, a adaptação pode ser muito mais tranquila do que parece.
O primeiro erro clássico é soltar o gato novo na casa inteira logo no primeiro dia. Para ele, é um mundo desconhecido, cheio de cheiros de outros animais, barulhos e recantos. O ideal é começar por uma divisão tranquila onde o novo gato fica com tudo o que precisa, como a caixa de areia, comida, água, arranhador, esconderijos e uma caminha. Deixe-o explorar esse espaço ao seu ritmo, sem pressão para brincar ou estar ao colo. Nos primeiros dias, o objetivo é simples: que ele associe aquele quarto a segurança e previsibilidade.
Se já tem outros animais, principalmente gatos, o segredo está nos cheiros, não nos encontros cara a cara. Antes de os apresentar, troque mantinhas, escovas ou brinquedos entre eles, para que se habituem ao odor um do outro sem se verem. Pode também esfregar suavemente um pano nas bochechas de um e deixar perto do outro, dado que as bochechas têm feromonas de "cheiro amigo".
A fase seguinte são os encontros controlados. Primeiro, portas entreabertas ou um portão de bebé, para que se possam ver e cheirar sem contacto direto. Depois, sessões curtas com a porta aberta, sempre supervisionadas. Nada de atirar o novo gato para a sala e esperar que se entendam. Se ouvir rosnadelas ou bufos, mantenha a calma, não grite nem castigue ninguém. Limite-se a interromper com suavidade, como um brinquedo, uma chamada, uma separação rápida, e tente mais tarde, por menos tempo. Reforçar comportamentos calmos com mimos, elogios e snacks ajuda muito: se cada vez que o residente vê o recém-chegado acontece algo bom, a associação muda.
Com cães em casa, as regras são semelhantes mas com um ponto extra, a segurança física. O gato deve ter sempre rotas de fuga e zonas altas onde o cão não chega. Comece as apresentações com o cão de trela, focado em si, e deixe o gato observar à distância. Um cão calmo, sentado, a receber biscoitos por ignorar o gato, é ouro. Nunca permita perseguições, mesmo que seja a brincar, pois para o gato, pode ser assustador.
Por fim, lembre-se de que cada animal tem o seu tempo. Alguns gatos parecem estar integrados em três dias. Outros demoram semanas (ou meses) a tolerar o recém-chegado. Durante esse período, mantenha a rotina o mais estável possível, com horários de comida, brincadeiras individuais com cada um e atenção igual para evitar ciúmes. Assim, será mais fácil manter a harmonia em família.